quinta-feira, 1 de abril de 2010

Por que eu sinto o que eu sinto?

(Certas coisas mudam,
outras coisas, não.
Aprendi a confiar no tempo (...)

Morar longe da faculdade é um problema.
No fim da aula, enquanto as demais colegas amigas se reunem em frente a faculdade pra jogar conversa fora, você tem que correr para casa, afinal, elas moram perto, mas já são 22:30 h e, pelo menos, meia hora de caminhada você ainda tem pela frente.
Já há meia quadra de distância, você ouve as alegres risadas delas e pensa: "- Como eu queria morar no centro..." e segue o rumo.
Quando a faculdade se muda para o prédio novo você fica feliz, afinal, ele fica a três quadras da sua casa. Depois das férias, você volta as aulas, reencontra as amigas e, na hora da saída, você caminha com elas (ou elas caminham com você) até a esquina da quadra da sua casa. Você se despede e segue um rumo, enquanto elas seguem outro, pois, você mora perto, mas já são 22:30 h e, pelo menos, meia hora de caminhada elas ainda têm pela frente.
Já há meia quadra de distância, você ouve as alegres risadas delas e pensa: "- Como eu queria morar no centro..." e segue o rumo.

Então, você entende... que o que importa não é a distânca a percorrer, mas quem acompanha você.
De quê eu poderia reclamar; se não me sinto contente, ao menos me sinto contentada.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Não entendo. Isso é tão vasto que ultrapassa qualquer entender. Entender é sempre limitado. Mas não entender pode não ter fronteiras. Sinto que sou muito mais completa quando não entendo. Não entender, do modo como falo, é um dom. Não entender, mas não como um simples de espírito. O bom é ser inteligente e não entender. É uma benção estranha, como ter loucura sem ser doida. É um desinteresse manso, é uma doçura de burrice. Só que de vez em quando vem a inquietação: quero entender um pouco. Não demais: mas pelo menos entender que não entendo.
Clarisse Lispector




Ninguém sabe como o amor começa, porque ele não começa, ele - simplesmente - se reconhece. O amor já existe, ele sempre existiu, nasce conosco, mas somente quando conhecemos "o" amado é que nos apercebemos de que o nosso Amor (sentimento) já tinha um amor (ser).
De nada adiantou todo amor que demos a outras pessoas, pois elas não eram as donas do amor... eram só outras pessoas - que acabamos por confundir com amores por causa da nossa pressa.
É como um quebra-cabeças, as peças devem estar em seus lugares, pois só assim fazem sentido, só assim se encaixam como deve ser. E mesmo que uma peça errada venha a se encaixar ali, cedo ou tarde notaremos que algo estará errado, ou ela fará falta em outro lugar, e teremos que tirá-la de lá.
Não podemos forçar o coração. Não podemos dar a uma pessoa um amor que pertence a outra.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Com a pulga atrás da orelha

Primeiro post de 2010
Advertência: Estou escrevendo sob forte inspiração de García Marquez (Del amor y otros Demonios) e Cunha & Cintra (nova gramática do português contemporâneo), então, eu não sei o que vem por aí... se vou me apegar à sintaxe ou à semântica.


- O papo é sempre o mesmo: ou razão ou emoção.
- É claro. Eu tenho observado as passoas. A discussão se dá porque não pode haver um equilibrio entre esses dois extremos.
- Como não? Quem é que ditou a regra de que não posso pegar ideias emprestadas com a emoção e depois decidir com a razão???
- Bom, eu sou uma das que diz isso, porque realmente acredito nisso.
- Como assim "não acredita", se você faz isso todo santo dia!
- Não faço nada! Hajo sempre impulsivamente movida pela emoção. Na maioria das vezes me arrependo, mas a vida é assim...
- "É assim" o escambau... Tá doida.. se é assim tem que deixar de ser. Você sempre foi racional, não é hoje que vai mudar.
- Mentira sua, sempre fui passional, mas só porque me ensinaram que era feio ser assim, era atitude de fraco.. Eu acreditei que deveria ser sintática, nunca semântica. Pra que fazer sentido, se o que importa é estar "correto"!
- Não posso acreditar que você disse isso! Deve estar maluca.
- Então estamos malucas...
- Porque?
- Porque pulgas não falam! E se pulgas não falam, pulgas não pensam.
- Quem disse?
- Heineken.. acho que é o cara da cerveja...
- Hmmm

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

É amanhã!

Parece que foi ontem...
O ano começando com a propaganda do Bradesco - 2000INOVE - e amanhã já passaremos a firmar as datas como 2010. Digo vocês, porque eu tenho certeza de que vou continuar me enganando no 2009 até me acostumar com a nova década.
Como foi o teu 2009? Quantas promessas do final de 2008 se cumpriram? Quantos desejos passaram a ser realidades?
Passaste no vestiba? Não deu de novo? Não desanima, BIXO!
Deixaste o cabelo crescer? Não aguentaste e cortaste de novo? Cabelo cresce...
Fizeste? Te arrependeste? Tinha mesmo é que tentar!
Paraste de roer as unhas? Ahh.. deu a úlitima roidinha da virada? Sei...
Te tornaste o pegador da faculdade? Ficaste no 0 x 0? Xiii... é 10 x 0 pra consciência?
Fizeste amigos bons? Descobriste que eram bons só na hora da farra?
Te tornaste abstemio? Como assim "- Isto estava fora dos planos"? Ah bom, não beber de estômago vazio já é um bom começo!
Conheceste alguém maravilhoso que fez os demais monótonos 364 dias de 2009 valerem a pena?? Não!?!? Que pena, eu conheci..


A famosa meia-noite de 31 de dezembro está chegando.. a Rede Globo vai fazer a contagem regressiva, lá na praia do Rio, todos vão se abraçar quando o jornalista disser "... 3, 2, 1.. Feliz Ano Novo", abraçar os familiares, ou abraçar o companheiro de serviço (Feliz Ano Novo, Ju), ou abraçar a garrafa de champagne.. Mas a meia-noite é o momento em que "o amanhã" se torna "o hoje".. um novo ano, uma nova década... e novas promessas, com certeza.
Eu não vou prometer nada.. o que vier, será bem aceito.
Desejo a todos (os que mercem) um inicinho de Ano muito bom, de muita paz, com muita festa..
Assim foi o meu 2009, foi o ano que eu viveria novamente, se não fosse o meu desejo inabalavel por novidades! Tudo foi válido, as coisas boas estarão sempre na memória e as ruins servirão de aprendizado.
Imagens falam por si sós.

[Clique na foto para ampliá-la]
Excelente 2010 pra nós todos!
Acho que agora nós merecemos.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

É Natal, pô!

O único dia do ano em que a gente tolera tudo o que nos irrita!!
Ai, ai... O Natal é tão bom!

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Teoria dos Caôs

 Muito se fala na Teoria do Caos,
e a prova de que essa deveria
ser uma teoria de caôs
é porque teimam em colocar
a culpa das tsunamis
nas pobres borboletinhas.

Alguém se atreve a interpretar?

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Casar dá Azar?

Desde os tempos mais primórdios, vem se perpetuando a absurda fala de que TODA mulher sonha em casar. [Tive que rir] É claro que esse pensamento apavora qualquer homem, basta ouvirem "Quero casar" e Puff, os homens somem e nunca mais... Aposto que os homens que venham a ler isto, dirão que estou generalizando. Mas e pensare que todas as muheres sonham em casar não é generalizar??
Filhos, as vezes, as mulheres nem perdem tempo pensando na possibilidade de - um dia, quem sabe, se não tiverem nada mais importante para fazer - casar. E é nesse ponto que eu queria chegar. Eu já ouvi falar de mulheres que fogem no dia do casamento, outras que desmaiam na hora, outras que vão adiando, adiando até o homem desistir, e outras que já terminam o namoro quando começa a ficar sério demais. No entanto, até então, eu só havia ouvido falar. Agora, eu conheço uma!!! É claro que virei fã. O motivo pelo qual ela desistiu do casamento foi engraçado demais e é por isso que eu decidi contar.
Esta mulher - que vou chamar de Mulher Original¹ - recebeu o pedido de casamento e aceitou. Normal, afinal, assim, de sopetão, a gente tem vergonha de dizer que não, justamente por não ter um motivo sequer para apresentar ali na hora (ou melhor, há milhões, mas não devem ser ditos). Mas conforme o tempo foi passando, um pensamento passou a atormentá-la. E era um pensamento que sussurava... Casar... asar.. azar.. Azar!
E, por mais que ela quisesse se livrar daquele maldito pensamento, não adiantava.. Era sempre aquilo martelando na cabeça: Casar... asar... azar... Azar! Digam-me, como ela poderia se casar, se o subconsciente feminino dela a estava alertando de que o casório traria azar?
Foi então que - olha o ápice da história - a Mulher Original mandou a fala milenar às favas e desmanchou o noivado, afinal, casar seria um pesadelo e não um sonho. E viveu feliz para sempre (depois do Novo Romance Histórico, acho que acabamos de presenciar o Moderno Conto de Fadas).
E foi sorte não ter casado, porque, pelo jeito, se ela quisesse se separar depois, não iria conseguir. Imaginem, se cada vez que ela pensasse no divórcio, surgise o pensamento: Separar... parar.. parar.. parar! Ela iria ficar presa ao casamento para sempre.
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¹quem conhece, sabe porque

domingo, 13 de dezembro de 2009

Para que serve o "triplo ponto de exclamação".

Resumen:
Este articulo solamente tiene un resumen porque es algo obligatorio, por eso, tenemos que llenar chorizo para contentar la ABNT.

O presente artigo se justifica, embora não deva, pela baixa tolerância que me assola no final de cada semestre. Estou cheia¹ dessa vida de estudante universitário!!! Quando prestei o vestibular (na minha época não era ENEM), não pensei que licenciatura DUPLA quisesse dizer DOIS estágios diferentes, DOIS relatórios diferentes e, o mais estrambólico, DOIS orientadores diferentes!!! Que idiota que eu sou, se era licenciatura dupla só podia ser tudo duplo!!! Parecia até que eu não sabia ler!!! Portanto, é compreensível, pois o erro foi meu... Nesse tempo, fiz a primeira descoberta: eu sabia ler, mas não sabia interpretar!!!
O problema de fazer tudo em dobro - além de ter que fazer tudo em DOBRO!!! - é ter que fazer o tal do TCC e um tal de projeto, que é algo novo em minha vida - tão novo que estou fazendo sem saber o que estou fazendo!!! Foi aqui que eu fiz a segunda descobreta: descobri que sabia interpretar, mas não sabia abstrair!!!
De lá para cá, foram shows de discursos sobre "não há erros", "eu me construo a partir do outro", "digitem em Times New Roman, tamanho 12", "tolera e te abstém", "no hay camino, se hace camino al andar" "o filtro afetivo tem que estar baixo" e o mais chocante de todos "o sujeito dessa oração é o que"!!!
Cheguei a pensar que a Gramática Tradicional (GT) era o mais conveniente, podiamos ficar acomodados nela, dormir tranquilos à noite, porque, afinal, era a tradição, só tínhamos que ir passando de geração para geração. Mas esse sistema de Monarquia se acabou, pelo menos para mim. Embora tudo fosse um mar de rosas, eu percebi que elas tinham espinhos (mas eu só percebi quando me disseram e não quando me espetei)... nos disseram que a GT já estava ultrapassada e, eu, que já estava nos meus (perdidos) embalos dos sábados à noite, aproveitei pra surtar bem sossegada. Pensei que a GT tivesse qualquer coisa a ver com o Modernismo de 1922: um pouco de tradição, um pouco de ruptura, mas, no fim, tudo a mesma coisa... algo muda aqui e ali, mas nada que se diga: Poxa! Tudo é novidade!!!
Considerações finais
Com base nesses 7 semestres de faculdade, descobri que não sei quem, afinal, é o desgraçado do Sujeito nas frases. E a morte do sujeito, do Pós-Modernismo, não entrou na dança, embora eu achasse que tinha tudo a ver!!! Eu quis juntar língua e literatura, mas creio que o momento não foi oportuno. Descobri que um verbo transitivo indireto (VTI) pode - pasmem! - ter como complemento um objeto direto (OD), graças à Semântica. Viva a Semantica!! (ou morra de uma vez e não me atrapalhe mais). Também já não sei de onde é o meu Espanhol; se da Espanha, da Argentina, ou do Fragata². Bom... do Fragata, com certeza, não é!!! As discussões acerca do Instituto Cervantes me deixaram com ar de qualquer coisa que remete a Dom Quixote... Triste figura...mas, poxa, eles não são gigantes, são só moinhos!!!
Como diz a generala³: "é desconstruir para construir"... eu espero que seja mesmo, odiaria acordar um belo dia e perceber que não serviu para nada.
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¹pode ser que amanhã, ou depois, eu não pense mais assim.
²essa piada exige inserção em contexto específico
³peço aos meus colegas que não comentem sobre este apelido, porque quero (sobre(viver para a formatura

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

[xícara] de café - é adjunto adnominal e não complemento nominal

É lógico que a disciplina que mais se gosta na faculdade é sempre a mais difícil, não é? Digo isso porque, se a gente gosta, a gente se empenha, quer que tudo saia ótimo [ou melhor]. Pois bem, a minha preferida é Morfossintaxe do [meu querido] Português. Tudo ia bem, eu estava estudando sem maiores problemas, até que... 
A minha ex professora falou para a minha atual professora que - pasmem - eu era uma ótima aluna. Assim mesmo com esse adjetivo hiperbólico me qualificando como portadora de boas notas, coisa que - cá entre nós - eu nem sou muito. Mas como boa mineira que é, a minha atual professora falou, como quem não quer nada, a seguinte oração: - Isto é o que vamos ver amanhã na hora da prova! Notei o olhar das duas para a minha humilde pessoa, parada ali [e agora compreendo a expressão "como um dois de paus"] com cara de paisagem. Fiquei paradinha, meio sem respirar, enquanto a professora procurava a honorável folha de exercícios que eu havia pedido. Foi aí que ocorreu uma coisa digna do mundo da tecnologia: pra não pifar, eu me desliguei e entrou em cena um lindo protetor de tela na minha mente... ele ficava indo e vindo, e batia nos cantinhos da minha tela mental de 17' LCD... [tá pensando o que? sou chique, bem]
Ah, que maravilha! Entrei em descanso!
Mas aí foi como se alguém tivesse mexido no mouse e, de repente - puf! -, a imagem sumiu e voltou o plano de fundo! E que plano de fundo, leitores.. que plano de fundo! Bom, sobre a imagem do plano de fundo mental, nem preciso falar, cada um sabe qual é a sua e, as vezes, não adianta nem a enviar para a lixeira, porque a imagem volta.. basta fechar os olhos e a diaba da imagem daquela pessoa está lá na tua área de trabalho mental e nem pensa em sair. 
Para que o assunto não se estenda às configurações pessoais, eu vou parando por aqui... mas tenho certeza que outra pessoa pode muito bem continuar de onde parei.
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Basta uma conversa com alguém que pensa para brotarem algumas ideias.. tipo flores em desertos... Uma aqui, outra acolá.. mas flores!

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

"Conhece-te a ti mesmo"

...uno hay que autotranscenderse

para eso, primero, hay que conocerse...

Eu e ela estávamos conversando, acompanhadas do bom e velho chimarrão... o costumeiro matezito da tarde, companheiro dos solitários. Aquela doida estava ainda abalada com a amnésia do namorado, resultado de um acidente ocorrido há mais de um ano. Ela se indignava:
- Nem tivemos filhos, não construímos nada juntos.. nada.
E era egoísta, tomara dois mates seguido. E se lamentava:
- Ser abandonada é uma coisa, ser esquecida é outra...
Vi que ela já ia servir o terceiro mate, foi quando pensei em abordá-la, mas sua voz distante e chorosa chegava aos meus ouvidos como tormentos dentro da minha cabeça.. desconcertante! Eu estava tão fixa naquelas palavras que nem a alertei para o fato de que a água fervente da térmica estava escorrendo por sua mão. Ela tão pouco percebia.
De repente, nasceu uma bolha enorme, de queimadura, bem na minha mão. Mas como? Foi então que eu olhei bem dentro dos olhos daquela louca. Ali, eu me enxerguei. Diante de mim, só jazia um espelho... a louca era eu.

Mais uma sexta-feira 13 pra coleção...
não basta ser contista...
temos que assistir "o exorcista"
graças ao Priorado de Sião.

a foto é daqui http://www.universo42.com/wp-content/uploads/2009/08/espelho.jpg