sábado, 20 de setembro de 2008

Eu sou tanta coisa;
Eu deixei de ser tanta coisa;
Eu quero ser tanta coisa;
E eu quero deixar de ser tantas outras.

E tudo começou lá em 31 de dezembro de 2007, quando eu comecei a fazer as 'promessas de ano-novo... é...eu prometi "vou mudar" e acabei me confundindo. Nunca fui tão igual ao que fui ontem, quanto o sou hoje!!

Primeiramente, prometi que ia deixar de ser preguiçosa para ser mais disposta, no entanto, comecei o ano de calendário na mão, rezando pra que os feriados caíssem na sexta-feira; Depois, prometi que ia tentar me conhecer melhor pra me amar e me aceitar, enfim, ter consciência de quem eu era, mas, dia 02 de janeiro eu estava indo passear e, quando vi meu reflexo num espelho distante, achei tratar-se de uma pessoa familiar... dá pra acreditar que não me reconheci???
Prometi também que não ia cair nessa onda de modernidade que fica com um monte de gente, mas aí chegou o tal de carnaval... sabe como é! Acabei me contradizendo, ou melhor, contra agindo!
Prometi que ia procurar um emprego, essa eu jurei que ia cumprir, mas me vi em Setembro tomando mate na beira do cáis em plena segunda-feira... - Putz! Já estamos em setembro!
Lembro que prometi perder certas manias e superstições que me perseguiram durante toda a vida, mas de repente lá estava eu pisando só na faixa branca da calçada enquanto roia as unhas... me deprimi ao ver um gato preto que prendeu minha atenção, e isso fez com que eu me distraísse e quase passasse por baixo de uma escada... - Ufa, essa foi por pouco! Imagina quanto azar!!!
Prometi que ia amar e amar...coisa que sempre faço mesmo sem prometer..mas não é que até nisso falhei... os amores passaram reto este ano por mim, continuo titia... Fazer o quê?
A blusa branca que usei no reveillon está manchada de cerveja e a calcinha vermelha já desbotou mesmo..
É...acho que as promessas não adiantaram de nada, mas prometo que o ano que vem vai ser diferente..ah, se vai!

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Ou SeJa

Isto aconteceu com o amigo de um amigo meu, ou seja... hehehe - será que alguém ainda acredita nisso?
Bom, a questão é que o fato me fez pensar se podemos realmente medir o amor, especialmente, se podemos medir o amor que o outro sente... cheguei a conclusão de que a resposta é não...

Era uma vez um casal feliz - como normalmente é nos primeiros meses - que dizia a cada cinco, ou melhor, dois minutos o quanto iam se amar pra sempre, ou seja... pelos proximos dos anos. Até aí tudo bem, normal. Mas o tempo passa, as coisas mudam, o ciúme ganha território e as brigam surgem como a poeira, ou seja... vindas do nada!
A grande questão que vai gerar a moral da estória é que a cada briga ele fazia questão de dizer a ela que a amava mais e que se importava mais - ele era tudo mais que ela, ou seja... Típico dos homens!
E, cada vez que se chateava com ela, dizia-lhe que ela nunca o abandonasse, que já não era possível sobreviver sem ela... que fizeram e aprenderam tantas coisas juntos que seria impossível esquecer, ou seja... "teu amor tem que durar, pelo menos até o meu acabar" (egocentrismo, individualismo... chamem do que quiserem, eu chamo de machismo mesmo)

Mas a vida...a vida é uma caixinha de supresas, meus amigos. Acontece que esse romance tão fantástico acabou. É, acabou, como começou, ou seja...aos poucos.
E adivinhem só... o príncipe que sentia tudo "mais" nem sofreu... não se abalou, já ela - coitada - nunca disse, mas pelo jeito como ela passou a viver a partir daquele dia... demonstrou que ela amava mais, ela sentia mais, ela suportou mais... ela tentou mais.

Moral da história:
Falar é fácil (não, não estou me contradizendo), mas falar não é sentir... falar é só falar... como ele foi capaz de medir o amor dele, compará-lo ao dela e ainda dizer que o dele era maior, se na primeira prova pela qual tiveram que passar o amor dele cedeu?
Tu consegues medir teu amor... com certeza, podes julgá-lo eterno, imortal, interminável? Acho que pensas que podes, mas não é verdade!
Como podes dizer que teu sentimento é superior ao de outra pessoa se não estás na pele dessa outra pessoa, ou seja...Te manca!
Só porque nem todas pessoas dizem aos quatro cantos o que sentem não significa que não sintam, quem sabe mais intensamente! Quem sabe, o silencio seja a forma de fazer com que algo seja só seu, não importa a interferência do pensamento alheio. É verdadeiro e não precisa ser provado (aos outros).

É óbvio que qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência, ou seja... invento minhas próprias verdades, isso não quer dizer que elas tenham necessariamente que ter verdades verdadeiras. Ou seja, são meias verdades, inverdades...

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Tudo é Questão de Ponto de Vista!


Sabe, tem um ditado que diz Sorte no amor, azar no jogo ou vice-versa. Pois bem, decidi fazer uma aposta, afinal, pelo que diz o ditado eu iria ficar milionária - e eu acreditava piamente nisso!... e não é que acabei percebendo e me convencendo de que é realmente possível uma pessoa ter azar no amor e no jogo! Agora, me responde; será que existe pelo menos uma pessoa com sorte em ambos??

Então, o tempo foi passando, deixei de apostar na loteria, passei pra megasena, logo depois pra telesena, e por último, acabei investindo na raspadinha - que patético. Mas não ganhei um tostão... definitivamente, eu não tinha sorte no jogo!! Mas e então???

Só me restava uma coisa; Mudei meu jeito de pensar a partir disso...comecei a pensar que talvez eu tivesse, sim, muita sorte no amor... muita sorte mesmo! Porém, acredito que, por muito tempo, eu tenha feito do amor um jogo, onde eu só queria ganhar sempre!! E se fiz do amor um jogo, como eu poderia querer ter sorte, se já estava mais do que provado que sorte nos jogos era uma coisa que eu não tinha, nem sombra!!

Foi aí que comecei a perceber que se eu não quisesse perder o pouco dinheiro que me restou, eu teria que parar de jogar com o amor. Como eu já disse lá no título; tudo é questão de ponto de vista. Se eu via o amor sob a perspectiva de uma jogadora - que só quer vitórias e se esquece que o importante é participar - eu sempre iria perder!

Agora tô tranqüila, sem stress, como dizem por aí... é claro, ainda não resisto a uma raspadinha quando passo na lotérica, mas é isso... tem vezes que até ganho... outra raspadinha - patético de novo, mas é bem isso que quero passar, o que importa é não desistir. Não desisti do amor também e, agora, acho que consegui o equilibrio...um pouquinho de sorte em ambas as coisas.

Moral da história, não faça do amor um jogo;
Moral do jogo, faça do amor uma história.


Agora tenho que ir. Preciso ir ali na lotérica pagar umas contas...
Até a próxima.

terça-feira, 9 de setembro de 2008

DesLiGue SeuS OuviDoS


Se alguém discordar, tudo bem, sinta-se a vontade, mas se discordar...É LOUCO!

Estava eu fazendo o almoço "lá lá lá... a vida é bela, os passaros cantam, o céu é azul..." bom, até aí tudo bem. Liguei o rádio, para que minha culinária tivesse trilha sonora. E lá estava eu, fazendo um belo estrogonofe ao som de "de bar em bar, de mesa em mesa, bebendo cachaça tomando cerveja..." É claro, lá pelas tantas, não sei porque raios eu comecei a achar que minha voz era afinada, e lá estava euzinha fazendo um trio com Bruno e Marrone... senti-me tão feliz de poder cantar! Estranho, né?
Bom, a questão é que quando eu estava no auge da minha felicidade - cozinhando e cantando e seguindo a canção - o locutor interrompeu a música para dar espaço à campanha política... Poxa, bem na hora do almoço! As promessas utópicas começaram a me enojar, senti que vinha uma má digestão por aí... Desliguei o rádio, a vida já não era mais tão bela assim.
Liguei a tv. Humm, legal..quanta notícia, dava pra encher uma bela linguiça...
Não é que de repente, não mais que de repente, entrou uma tela azul com uma malditas letras brancas que dizia: "Horário reservado a propaganda eleitoral gratuita" Pombas, tchê!! A partir daí, além de a vida não ser mais tão bela, os passarinhos pararam de cantar - ou eu já não os ouvia. Desliguei a tv, afinal, tudo tem limite, menos os surtos verborrágicos de políticos.
Quase cortando os pulsos com a faca de manteiga, eis que me surge a idéia mais maravilhosa do mundo! "Músicas do computador."
Larguei o garfo, liguei o pc, abri minha pasta de músicas e apertei o play. Ah...música, música...não vivo sem música!!
Mais aliviada, fui até a janela respirar o ar de quem está satisfeito por ter tido uma idéia tão boa! Respirei tão fundo que meus tímpanos chegaram a me deixar meio surda! Sentia-me orgulhosa!! Venci as propagandas!!
Mas (sempre tem um "mas")...
Já dá pra adivinhar o que aconteceu, não é mesmo??
Veio aquele baita caminhão de político com um volume absurdamente estúpido de tão alto e abafou por completo o som da trilha sonora do meu almoço! Fiquei arrasada e pensei "nesse eu não voto!"

Aumentei o volume do pc, mas nada abalava aquele troço cheio de caixas de som, que eu acredito ter sido construido para que os surdos pudessem saber as propostas dos candidatos sem o uso das libras.

Lembrei do velho ditado que diz.. Se não pode com eles, junte-se a eles..
Liguei o rádio, a tv, abri a janela e comecei a notar que tinha ficado louca, a comida tinha esfriado, a vida era horrível, os passaros se assustaram com o barulho do caminhão e tinham ido embora e o céu já não era azul - era cinza.

domingo, 31 de agosto de 2008

O MaL Do SéCuLo ...


ou o SéCuLo Do Mal???

Cá venho eu, novamente, com o meu pessimismo dizer: O mal do século não é a depressão; é o amor.
Mas, já que fiz uma afirmação, sinto que devo explicar meus porquês. Bem, fiz tal afirmação por acreditar que a depressão pode, sim, ser o mal do século, mas o que o causa é geralmente o amor. E ai de quem diga que não!
E o pior é que a culpa é nossa mesmo. Ao longo da vida, desaprendemos uma coisa que já nascemos sabendo; amar!
Eu mesma já fui vítima e, acredite quando eu digo, depois que passa a gente se sente tão besta! Eu vejo meus amigos pedindo o que sobrou do meu equilid e... sabe, não era pra ser assim, eu mesma não queria que tivesse sido assim comigo, mas foi... precisei de alguns remédios para me ajudar a esquecer o que eu adorava lembrar como a melhor época da minha vida! O destino é mestre na arte de ironizar, não é mesmo??
Porcaria! Depressão é o escambau! Foi amor mesmo, dos fortes. Ele foi o causador do mal do (meu) século... e aposto que do de todos nós, no fundo, no fundo...
Tudo relacionado ao amor (me) deprime. Não dá pra medir o amor. É impossível, certo??... mas se a gente não souber amar na medida exata, tá ferrada! Quem entende??
Os valores se perderam... não dá mais pra ser feliz, não nessa correria de hoje...
onde está o andar de mãos dadas?
o comer sorvete pra dois com uma colher só?
o deitar no braço do amado que te dá infinita segurança?
Se alguém que vive assim ainda se der ao luxo de ter depressão, me avisa, que eu vou lá e ainda dou um tapão na cara do indivíduo! E ainda imploro: - Troca comigo??? Deixa eu voltar a viver assim..toma meu equilid e seja infeliz, já que não soubeste dar o valor que eu também não soube dar, no passado, mas, agora, juro que sei.

Não bastava estarmos sozinhos no universo, agora, estamos sozinhos no meio das gentes...quero dizer, todos se olham, e ninguém se enxerga de verdade!Mas advirto: o amor "tapa-buraco" não vale... afinal, band-aid não cura ferimento de bala... um amor pra valer deve nascer, não deve ser escolhido. Deve crescer naturalmente e, não, na marra. E, acima de tudo, deve resistir ao individualismo que teima em nos atormentar... queremos tudo do outro e não nos preocupamos que o outro também quer. Enfim, tu só tens que amar e, não, que aturar! Só viver e, não, sobreviver. Só sentir e, não, buscar.
Até parece que sei muito bem do que estou falando, mas a verdade é que as poucas e boas que passei me fizeram ter algum tipo de sabedoria maluca. Sei que não se deve aconselhar, porque quando aconselho alguém estou esperando que a pessoa faça algo que EU tive vontade de fazer, mas não fiz, ou seja, conselhos são fracassos remendados e vendidos com a esperança de um final feliz. Tipo: - tudo vai dar certo se tu fizeres o que eu não fiz!
Mas não custa nada avisar. Então, a liçãozinha que fica é esta:
O amor deve: - Nascer, crescer e resistir.
E tu deves: - Amar, viver e sentir.
Ficou bonitinho, até rimou.

Mas é isso; não se deprimam... amem (ou amém pra quem já ama, é tudo questão de saber pôr o acento)
Até a próxima!

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Falar x Escrever


Lembro que Lispector escreveu - o gato comeu minha língua, mas não minha caligrafia

e não é que fiz minhas as palavras dela!

escrever é fácil; tu tens uma idéia, pensas, desenvolves ela e, só depois disso, tu te atreves a tornar público.. repito, escrever é fácil.
mas falar... a palavra, uma vez fora da boca, não volta nunca mais - não dá para apagar, rasgar ou botar fora!
falar é difícil, e muito! as palavras ditas transportam tanta coisa (sentimentos, pensamentos, desejos e ideais) é de inteira responsabilidade do falante os efeitos causados em seus ouvintes... é a palavra pela própria palavra...
#se as usaste para ofender alguém, por exemplo, use-as para convencer essa pessoa a te desculpar;
#se as usaste para dizer que merecias o amor de alguém para sempre, tenta explicar a esta pessoa, com palavras, o porque de a estares abandonando agora;
#se usaste as palavras para dizer que temos que ajudar o próximo, porque ser tão incoerente ao dizer -não ao menino que pede para comprares os imãs de geladeira que a mãe dele fez..
será que é tão fácil usar a fala? acho que não, mas é necessário, afinal se o menino dos imãs ficasse te esperando bolar uma boa resposta para a negativa ao pedido dele, o guri morreria de fome. Não estou questionando a veracidade de todas as nossas palavras... afinal, seria um assunto sem fim mesmo!
Só estou dizendo (na verdade, pensando, organizando e escrevendo) que falar é difícil, é responsabilidade demais...

numa relação "por um fio", não discutam mais, se já viram que as palavras não adiantaram, saíram impensadamente, magoaram, estavam carregadas de incertezas, acabaram piorando tudo ... mandem cartas, pensem o que querem que o outro saiba, "decidam" as coisas ruins que precisam ser ditas e codifiquem, utilizando os eufemismos e tudo acabará bem... mesmo que acabe de verdade!
as palavras ditas e ouvidas nos marcam, afinal, quem não lembra as palavras que usou pra se declarar a alguém há anos atrás, ou as palavras que ouviu em tom de crítica... que até te fizeram parar, pensar e rever teu comportamento e tua postura diante de certas situações - quem sabe, além das tuas observações, as palavras que ouviste ao longo da tua vida formaram o que és hoje.

só de uma coisa não tenho dúvida..a fala é espontânea, e a escrita premeditada...portanto, acredito que a fala seja sincera, o que te ocorreu no momento, a verdade nua e crua (que clichê!) o que não deu pra se segurar, escapou-se da boca, ou seja, não deu tempo de inventar nada melhor. Já a escrita é o que tu pensaste, reviste, achaste melhor não botar isso ou aquilo, perdem-se ideias porque quisemos colocá-las no papel na ordem em que nos ocorreram, e nem pensamos que o pensamento é muito mais rápido que as mãos.

Como eu queria poder falar, mas não consigo, não sai... todos os meus pensamentos ficam em mim, ou no papel... ao vento jamais! A escrita, ainda que pareça besteira, escravizou-me... viciou-me.. sinto que devo escrever ao ir dormir, ao acordar, ao presenciar qualquer coisa - por normal que seja... é triste as vezes. As vezes, tem-se tanto a dizer... e não se consegue!

Faz muito tempo que o gato comeu minha língua... e o que me restou??

Escrever e escrever... cansativamente e sem parar...
escrever um cartão em vez de parabenizar pessoalmente;
escrever uma carta pra terminar uma relação;
escrever que alguém me magoou em vez de dizer à passoa a fim de acertar os mal-entendidos;
escrever... só escrever, sem mover os lábios, gestualizar, gaguejar..nada! só escrever...

-gato danado, devolva minha língua... estou farta de pensar... quero ser um pouco espontânea também..

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

A inSusTenTáveL LeveZa do Ser

Eu não sou dessas de ficar colocando musicas ou versos no blog... o que escrevo aqui, vem de mim, mas essa é a música que mais amo - ela também vem de mim, sinto ela e ela siginifica demais o que sinto, vivo e sou... a escrita em azul são, obviamente, comentários e interpretações minhas.uhuh..
Vício - Anjos Do Hanngar
Noite que vai, noite que vem e o coração sem você.
(o tempo passa e não faz mais sentido porque tu te fostes)
Diz o que fazer, já não sei viver sem sentir o teu prazer.
(diga-me como fazer para que as coisas voltem a ter significado, se eu não lembro como era viver antes de te encontar)
Queria ter paz sem me preocupar, queria sorrir sem chorar,
(só sorrio quando lembro de ti e, em seguida, minh'alma se derrama em lágrimas)
Mas o riso vem é pra disfarçar a falta que você me faz.
(sorrir fisicamente pra tentar convencê-lo de que ele(a) que não faz mais falta)
Porque tem que ser assim? Porque amar é tão ruim? (e dizem que não)
(disseram-me que amar era bom, mas dói. Porque algumas pessoas acham que sentir isso é uma coisa boa?)
Quando eu te conheci, juro, eu brinquei
(quando eu brincava e o outro amava, era bom)
E o preço foi...me apaixonei!
(o preço, a punição por brincar com o amor é nada menos que amar)

Dramatica, eu?? Capaz!
Só não acredito (ainda) na existência de um amor ideal, o real já foi suficiente para me fazer notar que não importa quantas qualidades eu idealize em alguém, um dia vou ver que eu que as criei, as qualidades não existiam, e a pessoa - outrora, tão acima das outras todas - agora, é um reles mortal.
Não, não é pessimismo... ou será que é?

Vejamos, Camões descreveu tão bem o amor... na concepção dele, é claro (que aliás, difere, em parte, da minha). Bem, disse ele:
Amo é fogo que arde sem se ver
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer.

É um não querer mais que bem querer;
É um andar solitário entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É um cuidar que se ganha em se perder.

É querer estar preso por vontade
É servir a quem vence o vencedor,
É ter com quem nos mata lealdade.

Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade;
Se tão contrário a si é o mesmo amor
Luís de Camões


Amor é susto que se torna um hábito
É buscar o infinito andando em círculo
É ter a magestade do ridículo
É cândida nudez sem dor nem mácula
Amor é aprendizado sem lições
Que o digas tu, não eu meu bomCamões.
Trechos de Guilherme Fiqueiredo

E agora, José? E agora, José??

Por acaso alguém consegui ver algum otimismo aí acima? Falem-me, porque eu não consegui!
Ah, a instabilidade do amor! Totalmente antitético! Muito bem colocado.. Camões deixa claro a abstração do amor quando faz o questionamento ao final do soneto - como causar pode seu favor nos corações humanos amizades, se tão contrário a si é o mesmo Amor... dói sem doer, contenta descontente, tráz solidão em meio a multidão, nos faz ter lealdade com nosso carrasco!! Mas, ainda assim, há quem diga que amar (assim, como nos diz Camões) é bom!!
Em verdade, em verdade, vos digo: Que o que Camões define, em alguns versos - não todos - como sendo somente o efeito de amar, eu definiria como o resultado de amar e de não amar vistos sobre perspectivas diferentes...ou seja, o falta de amor X amor platônico.

Calma, antes que Camões comece a se revirar, eu explico:
Acredito que não amar é que tráz todo esse vazio de que fala Camões, essa ferida, essa dor, esse descontentamento, essa solidão...ao passo que amar desamparado causa os mesmos sentimentos.
Não amar, sim, é que faz doer sabe-se lá onde dentro da gente, trazendo a sensação de estar incompleta, parece que algo nos foi arrancado do jeito mais frio possível..dói tanto, mas não sei bem onde! Mas quando se dá amor sem receber, sente-se doer no mesmo e impreciso lugar

Não amar é que nos faz sentir a solidão entre as gentes porque se temos uma só pra amar, já não nos falta ninguém. Acredito que quem tem um amor nunca está só; E quem não ama, sim, sente solidão entre as gentes! Ainda assim, quando se ama, a única companhia que não trás solidão a de de quem tu amas.

Não amar nos faz descontentes, apesar de contentes, porque, ainda que consigamos sorrir, se estiver vazio o coração, nada nos alegrará por inteiro. O estranho é que essa mesma triste alegria nos invade quando amamos, ainda que não sejamos correspondidos.

Isso me leva a pensar só uma coisa; - Pobre Camões, só conhecia o amor não-correspondido! Não é a toa que teve tempo de fazer centenas de sonetos decassílabos heróicos... Se fosse correspondido sequer pensaria em escrever... e eu tampouco!

Será que não amar e amar nos fazem sentir a mesma coisa, têm o mesmo efeito?
Qual dos dois nos faz "mais bem"? Se é melhor doer por estar vazio ou doer por portar amor demais?

Repito o trechinho da música lá de cima:
"Poque amar é tão ruim? - e dizem que não"

Amar ou não amar, eis a grande questão... as vezes sem escolha!

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Eu Quero Um Coração De Aço Inox Tramontina


Sabe quando alguém fala o nome daquela pessoa que faz a garganta secar e as pupilas dilatarem?? Pois é...eu sei. Mas ele é comprometido... e é tudo que você mais quer! Só que as vezes não vale a pena, podemos estar destruindo a felicidade do outro em busca da nossa - e isso não é justo. Quer dizer, se duas pessoas têm um compromisso e o nosso sentimento não é convicto nem forte o suficiente, não devemos interfirir.
Acho que o pior sentimento que há é a culpa. Entende? Não dá pra viver com ela no nosso interior nos lembrando a todo momento os nossos erros, nossas falhas.
A moral da história é que não se deve acabar com a relação de alguém sem lhe dar a certeza de que é isso que você realmente quer e que nenhum dos dois vai se arrepender. E, essa certeza, eu não posso dar, não agora, pois não a tenho!!
OPA! Acho que acabei misturando a moral da história com a paranóia da realidade..dã!
A verdadeira moral é que não se deve abrir uma fenda no coração de alguém se não soubermos se seremos capazes de preencher esse espaço vazio, afinal, um coração não é uma mina onde se cava até chegar ao tesouro e vai-se embora...sem olhar pra trás.

Disseram-me que depois que parti ele chorou... e só a saudade não passa do tempo que já passou.

Estou lendo o Vampiro de Sussex, de Conan Doyle e achei interessante a passagem em que Watson pergunta a Holmes o porque de ficar sem comer durante os dias em que desvenda um mistério, ao que Holmes responde:

"-Porque as faculdades mentais ficam mais aguçadas quando deixadas à míngua. Por isso, meu caro Watson, como médico, é claro que você deve adimitir que a digestão rouba o suprimento de sangue que vai para a ccabeça. Sou um cérebro, Watson. O resto de mim é um mero apêndice. É por isso que devo considerar apenas o cérebro."

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Um bom dia pra recomeçar

Outra vez te revejo, com o coração mais longínquo, a alma menos minha. (F. Pessoa)

Havia parado de escrever, mas os sentimentos continuaram confusos. Mesmo que eu não questione nada sobre eles, continuo involuntariamente na defensiva.

Putz..Fala sério! Os homens causam arrepio, frio na barriga, nervosismo, mas o amor de verdade já se aposentou. Pelo menos, o meu senso de amar já está fora de cena a mais ou menos vinte capítulos.

(Neste momento) Começo a pensar que o amor não existe. Nós é que idealizamos as pessoas de forma a pensar que preencheriam nossas carências, e acabamos acrescentando-lhes qualidades que, talvez, não possuam. Por tudo isso, parei de voltar meus sentimentos 'melosos' para uma única pessoa, mesmo sabendo que não é assim que as coisas deveriam funcionar.

Uma coisa é certa; Quando estamos carentes, acabamos confundindo amigos com paixões. De repente, deitamos pra dormir e nos perguntamos -Será que ele é o cara?? Aí, minha amiga..é tarde!! Já nos apegamos a coisas banais que só são especiais na nossa cabeça. Começamos a surtar! E o pior é que surtamos conscientemente, e fingimos que não!!

Na verdade, são nossas defesas pessoais que estão entrando em cena; é bem menos doloroso pensar que tem um amigo a fim da gente a ter que aceitar fato de que, no momento, não somos amadas por ninguém.

Poisé...mesmo sabendo que é uma lusão criada por nós, sofremos. A realidade é que somos mulheres, primeiro complicamos para depois reclamar. Somos mulheres!! Olhamos novela, para aproveitar as emoções e chorar nossas próprias mágoas, enquanto esperamos que todos acreditem que estamos chorando por causa de personagens que estão sendo muito bem pagos para atuar, para fingir o que nós sentimos de verdade - e de graça!

Eu choro no último capítulo das novelas, afinal, não podemos guardar toda dor dentro da gente. Não cabe, explodiria!

Quando o corpo se enche de dor, de forma a não mais caber...ela transborda pelos olhos em forma de lágrimas...

SinDroMe de FeLíCia... a vontade anda de elevador.


"Coelinho, eu adoro Coelinho"
Quando eu conheci o coelinho, vi que era um homem como poucos. Na verdade, não pude identificar se era melhor ou pior, mas notei, logo de cara, que era diferente. Quando eu olhava nos olhos dele via que, apesar de ser tão trabalhador e responsável, tinha brilho de menininho serelepe... que conservava mesmo depois de ter passado por tanta coisa!
Comecei a gostar... e o coração, receoso, começou a me frear...
Quando ele quis ficar* comigo, pensei -Nem me conhece! Então, neguei e a vontade ia subindo...
Travei uma discussão interna; Meu eu romântico dizia -Ele é tão bonito e divertido. E, meu eu calejado retrucava -Lembra onde a afobação te levou na última vez? Então neguei de novo e a vontade subindo...Mas sabe como é, meu coração burro tá na defensiva faz tempo, portanto, qualquer pessoa que se aproxime de mim parecendo perfeita a olho nu merece um pouco de atenção e observação e, por isso, resolvi esperar um pouco mais... parece que eu estava vendo o momento em que ele ia me convidar pra "dar uma voltinha" com ele, mas ele não fez isso e o arrependimento foi começando a bater...
Quando já era tão tarde é que fui perceber que ele era diferente e tratei ele como igual aos outros!
Poxa, se ele tivesse caído no senso comum masculino - babar no meu ouvido enquanto me passava aquelas cantadas idiotas - tudo estaria bem e ele teria sido só mais um! Mas não!!! Ele tinha que ser tão educado e cavalheiro...(já mencionei que ele era divertidíssimo?)

No outro dia, resolvi consertar as coisas - do meu jeito, sem escutar o coração me dizer que era pra deixar quieto e não fazer nada. Só que acabei exagerando e fiz alarde demais, tanto que despertou sentimentos em certas pessoas que eu diria não serem "do bem"...mas tudo bem, nada como o tempo mais uma vez...

Apesar de tudo, sou otimista... acredito que todas as coisas me sirvam de lição, carrego elas na minha mala de experiências...mala esta que é bagagem obrigatória nesta viagem que chamamos de vida.

*entenda-se aqui por: (gíria) namorar por uma noite, em festa, show ou danceteria